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Competência Intuitiva na Era da Informação e Conhecimento

Entrevista de Eduardo Carmello cedida ao Jornal “O imparcial” de São Luiz do Maranhão

O imparcial: Sr. Eduardo, primeiramente o que é intuição?
EC: Intuição vem do latim intueri, e significa ver por dentro, ou ver de dentro ou até contemplar o interior. Para muitos filósofos a intuição é um entendimento imediato de algo sem apoio de uma dedução ou da razão, a partir de uma introvisão, revelada por um insight, um vislumbre, uma voz ou uma vibração corporal.
Ralph Waldo Emerson diz que nós temos dois tipos de tuições, ou meios de conhecimento. A extuição, que é o conhecimento externo e a intuição, que é uma sabedoria interior que expressa e orienta a si mesmo.
O psicólogo Carl Gustav Jung afirmava que intuição é a capacidade inconsciente de perceber possibilidades. O entendimento da visão global, mesmo estando voltado para a situação local.
Eu defino intuição como uma Inteligência inata ou cultivada, que tem a competência de correlacionar idéias e sensações, através de processos velozes de dados e fatos, elaborando assim uma resposta sintetizada para corresponder a quaisquer agentes estimuladores de necessidades e/ou oportunidades.

O imparcial: Aquela voz interior que nos manda fazer ou não alguma coisa pode ser considerada intuição?
EC: Claro que sim. Para muitos intuição é a sensação de algo que lhe diz para ir nesta ou naquela direção. Muitos se comunicam com a intuição de forma visual. Seus insights são visuais. É muito comum pessoas relatarem:
- Nossa, apareceu-me uma imagem mostrando o caminho certo.
Outros se comunicam de forma auditiva. Estas pessoas freqüentemente escutam sons:
- Não sei não, mas tem algo aqui dentro me dizendo que isto não vai dar certo.
É também muito comum pessoas sentirem as informações. O corpo vibra. Sentimos frio ou calor em determinada parte do corpo:
- Eu não sei não. Estou com um frio na barriga. Ou:
- Vamos fechar este negócio. Estou sentido meu coração vibrar, vai dar certo!

O imparcial: Todos têm a mesma capacidade (intuitiva)?
EC: Todos nós temos os mesmos instrumentos: cérebro, pele, coração, sensores receptivos, ou seja, o corpo. Temos acesso a esta comunicação, em maior ou menor frequência e intensidade. O fato é que muitos não dão valor a esta informação intuitiva. Alguns utilizam mais esta inteligência e outros, infelizmente, nem sabem que têm uma riqueza à sua disposição.

O imparcial: Como desenvolver a inteligência intuitiva?
EC: Existe um grande número de práticas que podemos fazer para se desenvolver intuitivamente. O meu livro  “O Poder da Informação Intuitiva” - Editora Gente - cita algumas, assim como outros livros também. Algumas destas prática são simples e outras mais complexas.
1 - No seu dia-a-dia, busque fazer associações com os acontecimentos que estão aparecendo à sua frente. Em vez de se perguntar:
- o que isto tem a ver com aquilo?
Procure especular de uma forma diferenciada:
- Como posso relacionar isto com aquilo?
Preste atenção nas palavras, ou imagens, ou sons, ou sentimentos que se repetem no dia ou na semana. Seja um investigador, o detetive de sua própria vida.
2 - Esteja em contato com ambientes que estimulem a intuição: Visite a natureza, vá ao teatro ou cinema, leia poesias, fique meia hora contemplando uma obra de Salvador Dali. Conheça pessoas e lugares criativos, inovadores, deferentes. Depois, descreva com riqueza de detalhes tudo o que observou e sentiu. Não se preocupe se há coerência em seus registros.
3 - Procure dar atenção e valor ao que sente em situações de imprevisibilidade. Por exemplo: Que tipo de emoção ou sensação teve quando entrou num lugar desconhecido. Ao conhecer uma nova pessoa, procure reconhecer qual sensação ou emoção imediata teve a respeito dela. Registre tudo num caderno de anotações.
4 - Encontre um lugar onde se sinta confortável. Faça exercícios respiratórios, medite, dance, pinte, escreva aleatoriamente.
5 - Fique cinco minutos em silêncio.
6 - Enquanto está lendo este artigo, milhares de imagens, sons e sensações estão passando pelo seu corpo. Registre num papel ou gravador estas informações agora, já!
7 - Da próxima vez que assistir tv, abaixe o som. Observe os movimentos das pessoas, suas posturas. Esteja atenta à toda comunicação corporal e gestual delas. Se quiser fazer uma prática avançada, experimente fazer isto ao conversar com um amigo. Como não dá para abaixar a voz dele, focalize sua atenção no tom de voz e nos  gestos. Procure não ouvir as palavras (não é tão difícil, fazemos isto com pessoas chatas) e preste atenção na entonação, em seu rosto e corpo.

Enfim, procure silenciar aquela voz tagarela do ego, que não pára de falar. Escute mais aquela voz sutil, que sussurra. Tudo que estiver fazendo para gerar autoconhecimento, conseqüentemente estará estimulando e desenvolvendo sua intuição.

O imparcial: Em nossa vida, há algum estágio onde a intuição é mais aflorada?
EC: Sim, na infância. Somos, enquanto crianças, altamente sensitivos, criativos, exploradores. Falamos com bonecos, temos amigos invisíveis, contamos histórias, elaboramos projetos incríveis, corremos, pintamos, vivemos em liberdade. Ao adentrarmos na escola, algumas delas começam dar grande valor ao nosso lado racional. Começamos a desenvolver nosso intelecto e desvalorizamos nossa criatividade e arte. Depois de adulto, há também uma fase, um determinado momento em que não nos preocupamos mais em sobreviver. Atingimos um grau de maturidade e buscamos um sentido à nossa vida. Buscamos coisas que realmente nos dão uma sensação de estar vivo, presente, ativo. Então, novamente, nos conectamos com a arte e com a natureza. Voltamos a dançar, pintar, escrever. Voltamos a fazer atividades manuais ou mentais que realmente gostamos. Entramos em contato novamente com esta essência.

O imparcial: No mundo atual, qual o poder da inteligência intuitiva?
EC:
Muitas pessoas acreditam que em suas atividades não é necessário utilizar a intuição. Ouço profissionais dizerem que trabalham com atividades rotineiras, e não precisam criatividade e inovação. Se sua tarefa não exige que você solucione problemas, que desenvolva serviços ou produtos, se você trabalha com rotina, tudo bem, você pode viver muito bem sem seu potencial intuitivo. Porém todos nós sabemos que há um fato irrefutável. Vivemos no mundo do conhecimento, da informação, e todos estamos ligados de alguma forma a ele. Ele nos convida a estarmos sempre atualizado, captando e selecionando dados e fatos. O profissional de ouro é aquele sabe tomar decisões, em intervalos de tempos cada vez mais curto, com informações incompletas. Num mundo de imprevisibilidade, de instabilidade, de criatividade e inovação é fundamental saber escolher o melhor caminho, decidir de forma ágil e criativa, confiando profundamente em seus instintos e emoções. Isto é intuição. Isto faz parte do perfil de pessoas que as empresas, as escolas, o mundo quer.

O imparcial: Como saber se uma pessoa é ou não intuitiva?
EC: Existem algumas características numa pessoa intuitiva. Freqüentemente uma pessoa intuitiva é observadora e dispões da habilidade de percepção e visão sistêmica. É original, criativa, imaginativa. Valoriza imagens e sinais internos e externos e se sente à vontade ao elaborar sínteses. Tem confiança em seus procedimentos internos e tem facilidade de adaptação constante em relação ao ambiente. O intuitivo é aquele que está sempre procurando novas brechas, novas maneiras de agir. É apto para captar sinais, tornando-os uma fonte de informação e conhecimento, qualidade procurada como ouro no mercado.

O imparcial: Pode falar um pouco sobre informação intuitiva (tema de seu livro)?.
EC: Sim. O livro O poder da informação intuitiva  - Editora Gente - explora a capacidade que todo o ser humano tem de agir intuitivamente. O que antes era sinônimo de vidência e característica feminina, agora se tornou uma poderosa arma para educadores, profissionais, executivos e empresários bem-sucedidos. A intuição é tão considerada na hora de decidir os rumos dos negócios quanto o conhecimento, a velocidade e a competência. Aliás, são quatro qualidades complementares, com pesos grandiosos no que diz respeito a resultados e objetivos. A função do livro é mostrar como podemos utilizar o poder intuitivo nos momentos difíceis ou nos quais uma mudança de ventos rápida pode fomentar grandes oportunidades. O Poder da Informação Intuitiva ensina que, para desenvolver a intuição, é preciso estar saudável e aberto às novidades. Estimula nos leitores a capacidade de despertar o Leonardo da Vinci que existe em todos nós. Temos dentro de nós o potencial de Leonardo da Vinci, mas a maioria não acredita e não potencializa essa característica. Viver o presente, confiar nas emoções, aflorar a percepção, a capacidade de fazer conexões e associações, gerar idéias, buscar estruturas mais profundas são os fatores discutidos como grandes aliados na captura de informações, na  tomada de decisões, planejamento de metas e percepção das tendências dos mercados. Enfim, a obra mostra as formas mais criativas de fazermos escolhas e esquecermos de convenções já tão arcaicas.

O imparcial: Seguir a intuição é bom ou não?
EC:
As pessoas intuitivas que conheço pessoalmente diriam que sim. Eu mesmo diria que sim. O ideal mesmo seria um equilíbrio de valor entre as fontes de informação externa e interna.Ter tempo para fazer uma boa análise a partir destas duas fontes e traçar uma boa estratégia.

O imparcial: Que tal uma história para terminar?

EC: Gostaria de contar uma história sobre o poder da informação intuitiva. Uma das grandes funções da intuição é nos mostrar aquilo que é imediatamente relevante. É a informação intuitiva que nos faz perceber detalhes importantes, que depois serão considerados como um dado óbvio. Nosso lado racional gosta muito de complicar as coisas. O óbvio (que anteriormente se apresenta como um detalhe imperceptível) está o tempo todo diante de nossos olhos, mas para o homem comum, sua visualização é deveras difícil. O homem criativo e intuitivo não foca os problemas ou situações irrelevantes. Foca as oportunidades. De mente limpa. Atento. Esta é uma das ações que prevalecem nos tomadores de decisão intuitivos.

Aqui está um diálogo entre o detetive Sherlock Holmes e seu fiel assistente-aprendiz Watson.

Sherlock Holmes e Dr. Watson vão acampar. Montam a barraca e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir.
Algumas horas depois, Holmes acorda e cutuca seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe pra cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes então pergunta:
- E o que isso significa?
Watson pondera por um minuto, depois responde:
- Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias e, potencialmente, bilhões de planetas.
- Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte.
- Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 03h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar.
- Teologicamente, posso dizer que Deus é Todo Poderoso e somos pequenos e insignificantes.
Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correto?
Holmes fica um minuto em silêncio, então responde:
- Watson, pelo amor de Deus! Significa apenas que algum filho da mãe roubou nossa barraca!!!

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