O Futuro da Educação Corporativa

line break Eduardo Carmello



1. Em cenários de alta complexidade e incerteza, a expansão da capacidade de aprendizagem se dá pela singularidade, contextualidade, experimentação e apetite por arriscar;

2. Os aprendizes mais inteligentes e inovadores não suportam mais informações generalizadas, enlatadas, fora de contexto e que não ajudam a potencializar seus projetos e resultados compromissados com seus clientes.

3. O modelo de aprendizagem que engaja talentos inteligentes e inovadores é a Heutogogia, que podemos traduzir de forma muito simples como a Aprendizagem Autodirigida. Porque Pedagogia ou Andragogia ainda têm a intenção de dizer o que ou como os alunos devem aprender.

4. Há uma insistência muito grande em inocular metodologias, tecnologias, conceitos, paradigmas ou mesmo modismos sem perguntar aos aprendizes corporativos o que eles realmente precisam e desejam para melhorar sua capacidade de entrega ou de inovação. Mais da metade dos cursos corporativos ainda são desenhados por especialistas que não conhecem as verdadeiras necessidades de conhecimento dos aprendizes que estão na sala.

Quanto menor o alinhamento entre os objetivos de aprendizagem e os objetivos de performance, maior a quantidade de conteúdos e ideologias despejados nas cabeças dos aprendizes. O conteudismo ainda impera nas experiências de aprendizagem corporativa.

5. Na prática, o “protagonismo do aprendiz” que é insistentemente falado nas Organizações ainda não acontece na experiência diária do mesmo. Consciente ou inconsciente, a cultura de educação corporativa ainda quer obter controle ou domínio sobre o que e como os outros devem saber e fazer.

6. Enquanto isso, o futuro complexo está solicitando descentralização de saber e poder, eliminação de intermediários para o alcance da sabedoria prática, assim como a real experiência de liberdade para aprender como exatamente potencializar a singularidade e desejabilidade de cada aprendiz. Esse é o caminho traçado pelas Startups, que definem elas mesmas um problema a ser resolvido, desenham um produto ou serviço, testam hipóteses e validam as mesmas com seus clientes, para colocar a solução no mercado complexo e incerto.

7. Precisamos urgentemente de uma Educação Corporativa que fomente a Heutagogia. Que criem comunidades de aprendizagem dentro da Organização onde se manifestem práticas para crescimento da aprendizagem autodirigida, do intraempreendedorismo, da experimentação contínua. Do dinamismo na descoberta das reais necessidades dos clientes, na construção de projetos e desenvolvimento de produtos de forma ágil, aprendendo na vida real como gerar velocidade em produzir inovações.

Em síntese, não é sobre “empoderar” talentos, mantendo-os nas limitações da pedagogia ou andragogia e sim devolver o poder a eles de aprender, da sua forma, o que é singularmente relevante para conseguir entregar valor continuamente.

Não é ter 100 talentos aprendendo de um único jeito o que “alguém definiu” como ideal e sim ter 100 talentos desenvolvendo pelo menos 70 formas diferentes de obter resultados relevantes e superiores.

Eduardo Carmello




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